quarta-feira, 7 de março de 2012

Actualização ao post "Diário de campanha"

Afinal são "apenas" doze os candidatos às presidenciais. Francisco Xavier do Amaral (que, como referimos, estava internado no Hospital Guido Valadares) acabou por falecer. Aquele que é por muitos considerado um herói nacional, avô de todos os timorenses, não chegou a cumprir o sonho de voltar a presidir o país que ajudou a construir.

Foi ele que, a 28 de Novembro de 1975, proclamou a independência de Timor-Leste, tornando-se no seu primeiro presidente (sendo que passados nove dias teve de se refugiar nas montanhas para fugir aos invasores indonésios).  "A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente decreta e eu proclamo unilateralmente a independência", foi com esta frase que entrou para a História.

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Apanhada" no cortejo para o comício de Taur

Logo no primeiro dia de campanha, ia a Joana a caminho do emprego quando foi apanhada pelo cortejo de apoiantes de Taur Matan Ruak (um dos candidatos às presidenciais) que se dirigiam ao comício que iria ter lugar no campo de futebol do Dom Bosco. De máquina fotográfica a postos, conseguiu capturar algumas imagens dos apoiantes, enquanto aguardava que o trânsito voltasse a andar (o que justifica a falta de jeito com que algumas fotografias sairam!). Assim se fez a "foto-reportagem" duma manhã caótica no trânsito por causa da roda-viva de actividades eleitoriais em que este país anda!

Felizmente, este foi o único comício em Díli até agora (porque todos os candidatos têm andado pelos distritos), mas parece que lá para o fim da campanha todos vão rumar à cidade e aí esperam-se grandes manifestações de apoio e, consequentemente, muitos engarrafamentos (com sorte mais nenhum candidato virá ao Dom Bosco que fica estrategicamente colocado na nossa rota casa-emprego)!


Dizem-nos que as primeiras eleições em Portugal também geraram ondas de entusiasmo como aquelas que sentimos aqui, que as pessoas também decoravam os carros com autocolantes dos seus candidatos e enchiam a Alameda para ouvir discursos e dar gritos de apoio. Sinceramente, não temos essas memórias. Somos mais do tempo em que, para encher o Coliseu, é preciso assegurar transporte e almoço aos “apoiantes” e que a desconfiança em relação à classe política é o denominador comum à maioria de uma população cada vez mais apolítica.
Por isso, assistimos com alguma estranheza e perplexidade a esta euforia que se vive em Díli por estes dias. É que não há apoiante que não vista a sua t-shirt, nem carro que não tenha o seu autocolante, nem restaurante que não tenha o seu cartaz à porta (ao lado da ementa anunciando que se serve caril de frango, fica claro que ali também se apoia o candidato x)! E, em dia de comício, é vê-los nas traseiras dum camião a gritarem "Vivas" com genuína esperança no seu candidato!
É a alegria eleitoral típica das jovens democracias, que mobiliza populações e é tema de conversa que a todos, sem excepção, interessa (pena é que a nossa democracia, a portuguesa, com apenas 30 anos já esteja tão podre)!

Ps - quem estiver interessado em informação jornalística credível sobre a campanha e as eleições pode obtê-la no Portal Sapo TL, que tem uma equipa no terreno totalmente dedicada à cobertura do evento, em parceria com a jornalista da Lusa em Díli.
Estrada de Comoro




A chegar à ponte de Comoro

Av. Mártires da Pátria (também conhecida, entre os portugueses, como "IC19"! Ahahah!)






quinta-feira, 1 de março de 2012

Diário de campanha - Presidenciais 2012

Começou ontem o período oficial de campanha para as eleições presidenciais que se vão realizar no dia 17 de Março (embora quase todos os candidatos já andassem há semanas em acções de promoção por todo o país).

Ao todo são treze candidatos, que passamos a apresentar (por ordem alfabética): Abílio Araújo, Angelita Pires, Fernando La Sama de Araújo, Francisco Gomes, Francisco Lu Olo Guterres, Francisco Xavier do Amaral, José Luís Guterres, José Ramos-Horta, Lucas da Costa, Manuel Tilman, Maria do Céu Silva Lopes, Rogério Lobato e Taur Matan Ruak.
Há dois dias, doze candidatos assinaram um pacto para a realização de eleições pacíficas (só faltou Francisco Xavier do Amaral que tem quase 80 anos e estava internado no Hospital Guido Valadares). No final da assinatura do pacto, houve um debate transmitido em directo pela TVTL, em que cada um dos candidatos presentes pôde expor as razões pelas quais se candidatou à presidência.

Assim, ontem, Díli acordou repleta de propaganda, destacando-se claramente (em termos de quantidade) a dos candidatos Francisco Lu Olo Guterres, ex-guerrilheiro apoiado pela Fretilin (historicamente o maior partido, do qual é presidente), e Taur Matan Ruak, antigo comandante militar das FALINTIL apoiado pelo CNRT (de Xanana Gusmão). Por todo o lado, vemos banners, bandeiras, posters e autocolantes destes candidatos a apelar ao voto. Veremos se os outros candidatos também gastam neste tipo de propaganda os USD 10.000 a que têm direito, ou se optam por outras acções (muitos preferem fazer deslocações aos distritos onde têm mais apoio para  mobilizarem potenciais votantes).

De louvar são os esforços da Comissão Nacional de Eleições e organismos associados na promoção de eleições transparentes e pacíficas. Já vimos banners a apelar ao voto, outros que alertam para a proibição de mobilizar crianças para acções de campanha e, na televisão, passa com frequência um anúncio a explicar os procedimentos eleitorias (incluindo aspectos bastante práticos como: como encontrar o local de voto, a importância do cartão de eleitor, procedimentos especiais para idosos e pessoas com necessidades especiais, etc).
Vamos, com certeza, manter-nos atentos ao desenrolar desta campanha, na expectativa de que corra sem sobressaltos, e daremos aqui conta daquilo que nos pareça mais relevante para que possam também acompanhar, pelos nossos olhos, este momento da História de Timor-Leste.

Apelo ao voto na ponte de Comoro

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Singapura - Marina Bay Sands e últimas impressões gastronómicas

Reservámos a última tarde em Singapura para visitarmos o monumental (não podemos dizer “incontornável”, não é Westerman? =P) Marina Bay Sands e vermos a impressionante vista panorâmica que o Sky Park, a 191 metros de altura, nos oferece da cidade.

É de facto uma construção feita a outra escala que não a humana! O gigantismo está em cada pormenor, desde as torres propriamente ditas, aos corredores, lobbies, até aos vasos que têm o dobro da altura duma pessoa de estatura média!
Neste complexo, que foi inaugurado em 2011, existe um hotel, um museu, um casino, um centro de convenções, uma sala de espectáculos (onde está em permanência o musical Rei Leão), um centro comercial, uma megastore flutuante da Louis Vuitton, um rio artificial, um clube de vela, restaurantes, bares (incluindo o Ku-De-Ta, um bar mítico de Bali que abriu aqui o seu segundo estabelecimento)…enfim, um novo símbolo da cidade liberal, consumista e dinâmica que Singapura procura ser, e que fazem dela, juntamente com Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan, um dos Quatros Tigres Asiáticos originais!

Não nos podemos esquecer que todo o território tem apenas uma área de 699 km2, e que, apesar disso, Singapura continua a ser uma das economias mais atractivas a nível mundial, sobretudo em matérias financeiras, navais, de petróleo e gás e de jogo. O porto é dos mais movimentados do mundo (como podem ver pela fotografia que mostra o tráfego de navios).
Mas, claro que nem tudo são rosas: se por um lado, Singapura tem uma das mais elevadas percentagens de agregados familiares milionários, por outro lado não existe um salário mínimo legalmente estabelecido e, embora não exista pobreza extrema, a assistência social prestada aos mais carenciados é considerada insuficiente. Só para terem uma ideia: em Janeiro deste ano, em virtude da recessão mundial, o salário do primeiro-ministro Lee Hsien Loong sofreu um corte de 36% e, ainda assim, continua a ser o líder político mais bem pago do mundo!!!

Ficámos com a ideia de ser uma cidade vibrante, em constante mutação, onde com um cartão de crédito dourado podem passar-se boas horas em deleite consumista, mas também onde se dispõe duma diversidade cultural e estabilidade social raras.
Voltando aos pormenores da nossa viagem, para terminarmos em beleza voltámos a Little India e jantámos a melhor refeição indiana da nossa vida! Já deu para perceber que a cozinha indiana é das nossas favoritas, não? O restaurante vinha mencionado no guia de viagem como um clássico entre os locais e ficava a breves minutos a pé do nosso hotel. Dois pisos repletos de comensais locais e estrangeiros e todos comiam com o mesmo entusiasmo as iguarias que saiam da cozinha. O cheiro a especiarias era inebriante e quando demos a primeira trinca ficámos imediatamente rendidos!

Não podíamos ter tido melhor desfecho para uns dias de férias fantásticos, num destino que adorámos conhecer!
A piscina mais comprida do mundo a esta altura e lá atrás os estaleiros navais

Golden Shoe (a extremidade sul de Raffles Place)

Raffles Place

Raffles Place, Boat Quay, o rio de Singapura e Colonial Core

Baía da marina

Louis Vuitton

Louis Vuitton, museu e estádio flutuantes e lá atrás o Esplanade Park

Esplanade - Theater on the Bay, estádio e museu

Sky Park

Singapore Flyer

Foz

Barcos a caminho do porto e nova zona de construção na foz

No topo da cidade

A desfrutar da vista panorâmica
Pormenor: homens a limpar as palas dos edifícios flutuantes

Autênticas formigas trabalhadoras

No interior do hotel

Canal do centro comercial

Torres vistas cá de baixo


A tentar aparecer na fotografia do gigante (com esforço, mas conseguimos)!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Singapura - Colonial Core

Singapura é, há muitos séculos, local de encontro de culturas. Malaios, chineses, javaneses, filipinos e árabes, todos por aqui têm passado para fazer comércio e implementar as suas religiões. De mais longe, vieram portugueses e holandês, mas foram os britânicos que mudaram drasticamente a ilha. Em 1819, Sir Stamford Raffles assinou um tratado com o sultão local e fez da cidade um porto intermédio no comércio entre a China e a Índia, lançando as raízes da Singapura moderna.

As homenagens a Sir Stamford Raffles estão por todo o lado, dando o nome a ruas, bairros, arranha-céus e hóteis. No seu plano para a cidade, as zonas comerciais ficavam na margem sul do rio (Boat Quay e Chinatown) e os edifícios administrativos na margem norte. Esta zona da margem norte é hoje conhecida como Colonial Core e aqui ficam muitos marcos históricos, incluindo o local de desembarque de Raffles e o Padang (ou “quadrado”). O Padang é o coração do bairro colonial e tem sido palco, desde o século XIX, dos grandes eventos desportivos da cidade de cricket, hóquei em campo e rugby. Ainda hoje é aqui que se localiza o exclusivo Clube de Cricket de Singapura.

À volta do Padang encontra-se uma série de edifícios monumentais, tais como o Supremo Tribunal, a Câmara Municipal, o Parlamento e o Teatro Victoria, quase todos em processo de restauro.

Ainda no Colonial Core, encontrámos as igrejas e museus mais bonitos da cidade. Passear pelo Hotel Raffles é como fazer uma viagem ao passado. E assim, quase sem darmos conta, estamos no quarteirão das faculdades, que termina na já nossa conhecida Orchard Road. Foi um passeio longo e cansativo, mas sem dúvida que valeu a pena ver uma faceta de Singapura que ainda não conhecíamos e mergulhar nas suas raízes coloniais mais europeias.
 
Escultura no Esplanade Park

Museu das Civilizações Asiáticas - edifício neoclássico construído por prisioneiros em 1867, que funcionou como tribunal

Escultura em homenagem à riqueza trazida à cidade pelos diversos profissionais

Vista sobre Boat Quay, do outro lado do rio

Estátua de Sir Stamford Raffles - marca o local onde o seu barco atracou pela primeira vez na manhã de 29.1.1819

Entrada do Antigo Parlamento, o edifício administrativo mais antigo da cidade. Começou por ser a residência dum mercador escocês, construída por G.D. Coleman, que muito influenciou a traça urbanística. O elefante foi oferecido, em 1871, pelo monarca tailandês Rama V

Clube de Cricket de Singapura, construído em 1884

O Padang e ao fundo o Clube de Cricket de Singapura, com as características persianas de bambú verdes escuras

Marina Bay Sands visto do Padang

Singapore Flyer e Esplanade - Theaters on the Bay vistos do Padang

Catedral de St. André, igreja anglicana, devotada ao santo patrono da Escócia em reconhecimento dos mercadores escoceses que custearam a sua construção

Vista de Raffles Place a partir do Padang

Padang, Esplanade Park e Marina Bay Sands

Raffles City, um complexo de arranha-ceús com centros comerciais, escritórios, hóteis e restaurantes, de onde se têm vistas panorâmicas da cidade e dalgumas zonas da Malásia. Popularmente conhecida como "A Lata".

Memorial à Guerra Civil, com quatro colunas brancas de 70 metros de altura

Raffles Hotel, hotel lendário e monumento nacional. Abriu em 1887 e aqui se davam os grandes bailes. De entre os hóspedes constam os nomes de Somerset Maugham, Rudyard Kipling, Joseph Conrad, Charlie Chaplin e Michael Jackson.

Na entrada de varandas fechadas e telhados de telha de terracota

Fonte ornamental de 6 metros, construída na Escócia em 1890 e doada ao hotel em 1990.

Empire Café, ao estilo dos anos 20

Arcada de acesso ao Long Bar, onde em 1915 o barman Ngiam Tong Boon inventou o Singapore Sling, a bebida cor-de-rosa destinada a atrair mais mulheres ao bar

Acesso ao Empire Café

Arcadas das lojas de souvenirs

À saída de Raffles City, já de iPad no saco =)

Chijmes, o elegante complexo de lojas e bares, que foi em tempos o Convento Jesuíta do Sagrado Menino Jesus e um orfanato

Jardins de Chijmes

Igreja de Chijmes
Fachada da Igreja de Chijmes

Catedral do Bom Pastor, a mais antiga igreja católica de Singapura

Museu de Artes de Singapura - foi uma escola para rapazes consagrada a S. José, hoje alberga mais de 7000 peças de arte moderna e contemporânea asiática

Por cima da Biblioteca da Universidade de Singapura. É isso mesmo, a Biblioteca fica aqui em baixo

Museu Nacional de Singapura, a história da pequena aldeia piscatória que se tornou num dos centros da economia mundial

Museu Nacional de Singapura