domingo, 7 de julho de 2013

Dubai - 3 dias no emirado mais louco: os mercados e o estuário


No último dia no Dubai, decidimos explorar os mercados – souks – que se escondem nas duas margens do estuário. Começámos em Deira pelo mercado das especiarias, com os seus aromas e produtos exóticos, e fomos seguindo os corredores cobertos até chegarmos ao extravagante mercado do ouro. Pelo caminho, fomos abordados por dezenas de vendedores de produtos contrafeitos – malas, relógios, óculos, roupa, perfumes – tudo “original copy”! Como explicar a estes senhores que se é “copy” não é “original”!? =)

Mas foi aqui, numa pequena loja de tecidos, que tivemos a conversa mais interessante de toda a viagem. O vendedor era um afegão, com vinte e muitos anos, loiro de olhos verdes, residente no Paquistão mas actualmente a trabalhar no Dubai. O rapaz queria que a Joana comprasse todos os lenços da loja e quando percebeu que, com sorte, vendia-lhe um mas muito bem regateado, virou-se para o Bruno e disse-lhe para também comprar lenços para as outras mulheres da sua vida! Apesar da reacção inicial da Joana perante o total descaramento do vendedor, gerou-se uma conversa muito aberta e esclarecedora sobre a “normalidade” com que ele via o facto de um homem ter mais do que uma mulher. A teoria rezava assim: imaginemos o cenário em que um homem adulto se casa e traz a mulher para a casa da sua família, onde os dois irão viver com os pais do marido e com os restantes irmãos, cunhadas, sobrinhos, primos, tios, etc. e todos os homens adultos que vivem nesta casa têm mais do que uma mulher. Passados uns anos, esse mesmo homem adulto, satisfeito com a sua vida, mas com condições económicas para sustentar mais uma mulher, decide casar uma segunda vez e assim redobrar a sua felicidade e aumentar a prol de descendentes. O impacto que essa nova mulher tem nesta casa em nada se compara com aquele que imaginamos na nossa realidade, em que um casal, quando decide construir uma vida em comum, tipicamente vai viver sozinho para a sua própria casa. É a diferença entre trazer mais uma mulher para uma casa onde só vivem duas pessoas, ou para uma casa onde vivem trinta). Quando lhe perguntámos se não era difícil manter as duas mulheres felizes e darem-se bem uma com a outra, revelou-nos que o segredo para manter a família em equilíbrio é nunca dar mais a uma mulher do que a outra. Isto aplica-se a tudo: bens materiais, atenção, carinho, tempo. Quando uma das mulheres começa a sentir-se preterida é que as tensões começam a surgir, mas se ambas receberem o mesmo tratamento, tudo está bem. Interessante, não?

Mercado das Especiarias

Corredor coberto

Mercado do Ouro

Mercado do Ouro

Bruno à saída do Mercado do Ouro

Loja de frutos secos

Loja de doces árabes

Depois da conversa e das compras, atravessámos o estuário de “abra”, os pequenos barcos-táxi que num minuto nos põem na outra margem, almoçámos e visitámos os restantes souks.

Joana preparada para a travessia de "abra"

Um casal emirati com as vestes tradicionais, que acedeu pousar para a fotografia

"Abras" - os táxis do estatuário

Minarete

Restaurante sobre o estuário. O nosso balanço: localização maravilhosa, serviço médio, comida má

Mercado dos tecidos

Chinelinhos de Aladino

Candeeiros, vasos e bules de café

A vida ao redor do estuário é vibrante e mais genuína. Foi aliás aqui que tivemos a oportunidade de ver que nem tudo é glamoroso no Dubai e que, enquanto alguns levam uma vida de fantasia nos luxuoso hotéis e centros comerciais, muitos trabalham e vivem em condições árduas para manter a economia a vibrar. É o caso dos trabalhadores das docas que reparam os velhos barcos de madeira que ainda fazem as rotas do comércio regional e dos seus tripulantes, que ali vivem até uma próxima viagem.

Trabalhadores a reparar "abras"

Barcos ainda hoje utilizados na pesca e comércio

Vida a bordo dum barco

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dubai - 3 dias no emirado mais louco: a cidade

 
A cidade do Dubai pode ser o paraíso para os arquitectos extravagantes e os viciados em centros comerciais, não para nós. Qualquer destino que tenha no seu top dez de locais a visitar, pelo menos, quatro ou cinco centros comerciais, deixa-nos à partida desconfiados, e depois as réplicas inspiradas noutros países também não são a nossa perdição. As suspeitas confirmaram-se: falta-lhe autenticidade, genuinidade, algo de único que não possa ser visto, comprado ou comido em qualquer outro país árabe. Claro que tem o Burj Khalifa, que é impressionante e esmagador! Mas fora isso, não há nada de original a registar.

A cidade é sobretudo extravagante. Os edifícios, os centros comerciais, os carros, os barcos, os hotéis, as ilhas artificiais, tudo é feito a uma escala sobrehumana e com a intenção de causar impacto. A cidade é um verdadeiro parque de diversões para adultos com Visa Gold na carteira que gostem de dar nas vistas. Não admira a enorme quantidade de turistas russos, com o “bling bling” típico dos rappers americanos, que se pavoneavam pelos hot spots da cidade. Quem aqui vem gosta de ver e quer ser visto.

Enfim, temos de confessar que, para além de extravagante, achámos este ambiente muito parolo. Mas aqui ficam as fotografias para que possam apreciar!
Estuário do Dubai

Preferem a limusine?

Ou o Hummer limusine?!
Horizonte recortado por enormes arranha-céus. À esquerda, Burj Khalifa, o arranha-céus mais alto do mundo, com 828m.

Wafi - centro comercial e hotel de inspiração egípcia

Wafi - detalhe

O nosso meio de transporte pela cidade

A omnipresente fotografia de Mohammed Al Maktoum, governante do Dubai, primeiro-ministro e vice-presidente dos EAU

Mesquitas

Há uma em cada esquina, por isso cuidado na escolha do vosso hotel.Tínhamos uma mesmo nas traseiras do hotel e, embora a oração da manhã fosse cantada por uma voz impressionante e hipnótica, acordar nas férias às 6h da manhã não é bom!

Burj Al Arab, o luxuoso hotel fica numa ilha artificial e imita a vela dum barco

Burj Al Arab visto de Jumeirah

Artesanato árabe: candeeiros e chichas

Artesanato árabe: tecidos, lenços e túnicas de seda e caxemira

Artesanato árabe: tapeçaria e mobiliário

Tâmaras, alperces, pistáchios, nozes e outros frutos secos
 
 Hotel Atlantis Tower, na ilha artificial de Palm Jumeirah 

Bruno a desfrutar da vida de turista

A cidade continua a crescer

Aquário no Dubai Mall

Bruno aos pés do Burj Khalifa. Para subir à plataforma observatória convém marcar com antecedência.

Estacionamento à porta dum centro comercial!


Beijinho só a este, que não se baba. Aos verdadeiros que estavam no deserto não fazia isto!
 
Os lideres dos EUA

Estuário à noite


domingo, 28 de abril de 2013

Dubai - 3 dias no emirado mais louco: o deserto

No início deste ano, passámos três dias no Dubai. Um dos sete emirados que constituem os Emirados Árabes Unidos, situados na Península Arábica.
 
Como o tempo era limitado, as nossas prioridades foram: visitar o deserto, dar uma volta pela cidade e percorrer os mercados tradicionais.
O plano cumpriu-se e o balanço é positivo, mas não arrebatador. Tudo muito turístico, muito organizado, muito moderno, pouco genuíno! Nada fica à distância duma pequena caminhada, os pontos de interesse dispersam-se pela cidade e tentar apanhar táxi pode revelar-se frustrante.
No primeiro dia, fizemos o safari no deserto. No nosso jipe fomos nós, o condutor de Ray-ban e turbante, duas turistas japonesas de saltos anos e um casal indiano que estava no Dubai para umas “férias nas compras”. O estranho grupo seguiu até ao deserto da Arábia, onde centenas (não estamos a exagerar) de jipes estavam prontos para uma experiência de condução radical nas dunas. Foi mesmo muito giro, mas desaconselhável a estômagos sensíveis (as estradas de Timor-Leste deram-nos fortes resistências e não é qualquer duna que nos faz vacilar)! Seguiram-se as fotografias ao pôr-do-sol (uma das japonesas perdeu um sapato e fez um drama), o passeio de camelo e o jantar tradicional, com falcões, tatuagens de hina, dança do ventre (impressionante!), chicha e venda de artesanato. No fim, apagaram-se as luzes e durante uns minutos pudemos apreciar o céu estrelado e sentir o frio no deserto.
Tudo 100% para o turista. Aliás, as empresas que organizam estes safaris são autênticas máquinas bem oleadas para entreter centenas de turistas por noite. Mas não deixou de ser interessante e ir ao deserto, sentir o silêncio, ver o horizonte nas dunas é sempre uma experiência única e inesquecível.
Pôr-do-sol no deserto arábico


Parte da nossa caravana
Camelos

Bruno, Aimar e "Falcão"

Artesanato com areia colorida

Tatuagem de hina

Confortáveis entre tapetes e almofadas e prontos para jantar à luz das velas

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um paraíso chamado Jaco!


Se nos perguntarem qual o nosso local preferido em Timor-Leste, a resposta é clara e sai sem termos de parar para pensar: Jaco! O ilhéu que fica na ponta leste da ilha de Timor. É um lugar único, mágico, virgem, inexplorado. Se a vossa definição de paraíso inclui uma ilha deserta, de areias finas e brancas, mar transparente e quente, corais à distância de duas braçadas, então Jaco é um sítio que têm de visitar! Lá encontrarão tudo isto e mais nada, e é tão bom que assim seja!

Jaco é considerado um local sagrado pelo povo Fataluko e por isso a ninguém é permitido lá viver ou pernoitar. Os visitantes são bem-vindos durante o dia, mas antes do sol se pôr têm de regressar a Timor. Por isso em Jaco não existem quaisquer infraestruturas e tudo aquilo que é preciso para passar lá o dia tem de ser levado de Timor (destacamos, por serem essenciais, muitas garrafas de água e protector solar). O transporte é feito em canoas dos pescadores da aldeia, que pacientemente aguardam a chegada dos turistas que lhes trazem algum rendimento extra. Para além do transporte, podem incluir no serviço um almoço de peixe grelhado.

Para nós, um dia em Jaco inclui também muitos mergulhos, braçadas e claro muito snorkeling para explorar a riqueza e beleza do fundo daquele mar. A barreira de coral está literalmente à distância de duas braçadas, o que significa que todo um mundo de maravilhas subaquáticas espera por nós, no qual se incluem muitos corais, algas, estrelas do mar e peixes de todos os tamanhos, cores e feitios! Em certas zonas, basta pôr a máscara de mergulho e baixar a cara para entrarmos num mundo novo, um verdadeiro oceanário natural!

Por todas estas razões, já há muito tempo que Jaco merecia o devido post neste blogue, mas há certos momentos que têm de ser guradados antes de poderem ser partilhados! Mas agora chegou a hora de revelar Jaco ao mundo dos nossos leitores! Aqui ficam as fotografias deste paraíso perdido, que tivemos a sorte de encontrar, e que retratam o encantamento e deslumbramento que sentimos perante tamanha beleza natural!
Uma Lulik (casas sagradas ou "templos" tradicionais) típicas do distrito de Lautém, a caminho de Tutuala

Pescador traz o almoço acabado de fazer aos visitantes em Jaco

Menú: peixe grelhado, claro!

Joana a desfrutar da água mais inacreditável que já vimos!

O areal de Jaco para sul

O areal de Jaco para norte

Postal do paraíso!

Bruno a aproveitar o sol e o mar

Joana numa caminhada ao longo do areal de Jaco
 
Bruno preparado para o snorkeling


Ao fim da tarde, o regresso à ilha de Timor

O restaurante no "eco-resort" do Parque Natural Konis Santana: aqui jantámos arroz, peixe e legumes sentados em esteiras e almofadas. O pequeno-almoço incluiu café Timor, banana frita e batata doce frita.

"Eco-resort" (muito "eco", pouco "resort"): podem levar a vossa tenda, ou ficar numa cabana simplesmente equipada com um colchão, rede mosquiteira e almofada

Fim de tarde à beira-mar, enquanto nos preparamos para adormecer a ouvir o mar e os tokês

A despedida: o ilhéu de Jaco visto da ilha de Timor ao final da tarde

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Platinum Cineplex - A magia do grande ecrã chegou a Díli!

Hoje a nossa noite incluiu: sair de casa depois do jantar, bilhetes, pipocas e óculos 3D...Já adivinharam onde fomos? É verdade fomos ao cinema em Díli! Abriu em Dezembro passado o Platinum Cineplex, o primeiro cinema de Díli, hoje foi a nossa estreia e não podiamos ter vindo mais satisfeitos!
O cartaz conta com quatro títulos de filmes de Hollywood, Bollywood ou cinema indonésio. Esta semana todos os filmes são de Hollywood e a diversidade da oferta promete agradar a todos os gostos, ora vejam: A vida de Pi; Hitchcock; Os Mercenários 2; e Sarilhos em Família.
Optámos por ver o primeiro – A vida de Pi. É simplesmente arrebatador. Há momentos, imagens, sons de pura poesia. Se tiverem a oportunidade de ver este filme, não a percam, vale mesmo a pena!
Quanto ao cinema em si, é do melhor que se poderia esperar. O auditório a que fomos é grande, espaçoso e confortável. Dispõe de tecnologia 3D, um bom sistema de som, há pipocas, snacks e bebidas para todos os gostos. Os filmes falados em inglês são legendados em indonésio, o que nos parece fazer sentido, uma vez que ainda não é possível legendá-los em tétum e fazê-lo em português iria infelizmente perverter o efeito pretendido de trazer o cinema aos timorenses (a verdade é que se ainda são poucos aqueles que falam fluentemente português, menos são os que estão aptos a ler as legendas). Os bilhetes são caros para o nível de vida médio (por exemplo, um filme a 3D na sessão da noite ao fim-de-semana custa dez dólares por pessoa), mas há promoções atractivas que democratizam o acesso às maravilhas da sétima arte: às segundas, os estudantes só pagam três dólares; às terças, na compra dum bilhete oferecem outro; às quartas e quintas, o preço do bilhete é quatro dólares; nos restantes dias, os preços são progressivos, ou seja, as sessões da tarde são mais baratas e as da noite mais caras. A verdade é que a plateia da nossa sessão compunha-se dum misto de portugueses, indonésios e timorenses, todos a partilhar o mesmo gosto pela cultura cinematográfica e satisfeitos pela oportunidade de tê-la agora aqui tão perto.
É difícil expressar a alegria que sentimos por termos um verdadeiro cinema em Díli! Este era daqueles prazeres antigos que tínhamos em Lisboa e uma rotina à qual muito custou desabituarmo-nos. Mas felizmente o “jejum” acabou e agora já temos as últimas novidades “numa sala perto de si”!
Na primeira ida ao cinema em Díli, pipocas e os bilhetes para "A vida de Pi" =)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ano novo, vida nova


A todos os nossos leitores começamos por desejar um bom ano 2013! Os tempos estão difíceis, mas uma boa dose de optimismo nunca fez mal a ninguém, por isso há que ter esperança neste ano que agora se inicia!

Como devem ter reparado, estivemos ausentes por uns tempos mas por motivos que compreenderão: trabalho, férias, problemas na internet, mudança de casa e uma viagem muito ansiada até Portugal para passar o Natal junto da família e dos amigos. Confessamos que no meio de tudo isto também nos lembrávamos do blogue e de como estávamos “em falta” para convosco. Mas o tempo foi passando e só agora chegou aquele momento em que dissemos “de hoje não passa” e cá estamos nós de novo.

Ora, como sabem, este blogue teve, desde sempre, um prazo de duração determinado à partida: os dois anos da nossa estadia em Díli. Esses dois anos, que justificaram a criação do blogue e a partilha de informação com todos aqueles que têm algum interesse em Timor-Leste, chegaram ao fim e por isso deveria estar também a chegar o fim anunciado do nosso blogue. Mas, como diz o ditado, “Ano novo, vida nova” e por aqui a novidade é que adiámos o nosso regresso a Lisboa por mais dois anos. A verdade é que, por diversas razões (sobretudo profissionais), decidimos ficar em Díli por mais uns tempos e, por esse motivo, a esperança média de vida deste blogue duplicou. Por isso, para nós é mais "Ano novo, tudo se mantém" e essa é a novidade!

Tentaremos, na medida do possível, continuar a publicar com regularidade as fotografias e as histórias que preenchem a nossa estadia nesta meia-ilha e esperamos que continuem desse lado a acompanharem-nos como fizeram até agora.

Assim, justificou-se alterar o cabeçalho do blogue e actualizar alguma da informação que lá estava. Começa aqui a nova fase do “Novo Selvagem”, esperamos que gostem!