segunda-feira, 30 de julho de 2012

Férias e regresso a Díli

Depois de andarmos a passear por Portugal e por Singapura, estamos de volta a Díli. As férias foram óptimas mas, como sempre, passaram depressa demais. A família e os amigos receberam-nos de braços abertos, voltámos aos lugares de que gostamos, descobrimos novos recantos, revisitámos sabores. Claro que o tempo, que nestes dias parece voar, nunca dá para tudo mas mesmo assim conseguimos fazer muito do que tínhamos planeado.

Por aqui, as eleições legislativas foram ganhas pelo CNRT (de Xanana) mas sem maioria. Depois do anúncio de que o CNRT iria coligar-se com o PD e a Frente-Mudança, deixando a Fretilin de fora do Governo, começaram os desacatos, com dezenas de carros partidos, alguns feridos e um morto. Entretanto, ainda não há Governo formado mas o ambiente acalmou e a vida está normalizada.

E como temos partilhado tantos episódios passados em Timor-Leste, partilhamos agora alguns dos melhores momentos que passámos em férias em Portugal.
A testar a temperatura da água em Valmitão

Final de tarde em Porto Dinheiro

Manhã na Praia Grande


Praia Grande

Penedo, Serra de Sintra

Convento da Peninha

Vista sobre o Guincho

Vista sobre Cascais

Cabo da Roca

As manas ao sabor do vento da Peninha
 
Sintra

Sintra

Praça de Espanha - a comprar bandeiras de Portugal tamanho XL a pedido dos amigos timorenses!!

Baixa Pombalina

Rua Augusta

Eléctrico no Terreiro do Paço

Navio-escola Sagres

Doca de Santa Apolónia

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Transportes públicos e viaturas oficiais

Estamos quase a partir de férias e por essa mesma razão a disponibilidade de tempo e mental para publicar posts mais elaborados não tem sido muita. Mas como sabemos que gostam sempre de ir tendo novidades e na senda dos últimos posts sobre Díli, aqui fica um conjunto de fotografias tiradas ao trânsito durante uma hora de espera em Colmera. As fotos não ficaram grande coisa porque entre nós e a estrada existia um gradeamento, mas a diversidade de veículos que por ali passaram justificam a publicação. Partilhamos assim um retrato do parque automóvel timorense para que fiquem também a conhecer este aspecto da ilha.
Bis - os autocarros que fazem o transporte entre distritos, esta com uma decoração subaquática

Microlete rosa - muitos lá dentro e 3 à pendura

Microlete - nesta vão 4 à pendura

Microlete do Celsu

Táxi

Microlete

Táxis

Bis

Ambulância

Polícia da ONU

Carro Célula para transporte de presos da Polícia Nacional de Timor-Leste

Polícia da ONU

Outra microlete

Microlete em acção no trânsito da Rua Presidente Nicolau Lobato (Fatuhada, Díli)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tasi Tolu - Papa e lagoas

No domingo passado, fartos de estar em casa sem nada para fazer, decidimos ir arejar até Tasi Tolu, o descampado pantanoso que fica mesmo na entrada oeste de Díli. “Tasi Tolu” significa, em tétum, três mares, nome cuja origem advém do facto de ali existirem, supostamente, três lagoas. Mas não serão duas lagoas e o mar? É que só vislumbrámos mesmo duas!

Para além das lagoas junto ao mar, existe outro atractivo: o santuário erguido em homenagem ao Papa João Paulo II, que visitou Timor-Leste e ali celebrou uma missa no dia 12 de Outubro de 1989, composto por uma pequena igreja e uma enorme estátua do Papa. A estátua está numa pequena falésia, cuja subida (leve e curta) permite captar diversas perspectivas do mar e das lagoas.

Já lá em cima, descansámos a ver as paisagens desimpedidas do mar, de Ataúro e das estradas e montanhas que rodeiam Díli.
Descemos até às margens de uma das lagoas, onde três pescadores lançavam as suas redes (com o mar tão perto!). Deu uma série fotográfica que valeu pela tarde! Mais à frente, um grupo de origem indiana jogava críquete e, à sombra das árvores, descansavam muitas famílias e casais de namorados timorenses.
Mais um passeio agradável e um recanto de Timor-Leste descoberto, desta vez um bem pertinho de casa.
Já repararam que Díli está delimitado pela estátua do Papa a oeste e pela do Cristo Rei a este? Espelha bem a devoção católica das suas gentes e o poder local da Igreja (a quem muitos se referem como o terceiro partido de Timor, a par de Xanana e da Fretilin). Coisas de Timor.
Perspectiva parcial das lagoas, a caminho do Papa

Perspectiva duma lagoa e do mar, a caminho do Papa

Ao fundo, a praia atrás do aeroporto. Em primeiro plano, uma série de construções que não percebemos o que são.

Homenagem de gratidão

Estátua do Papa João Paulo II

Outra perspectiva da estátua do Papa

Ataúro

Praia de Tasi Tolu

À beira da lagoa

Mangroves na lagoa

Pescadores - sequência 1: preparação

Pescadores - sequência 2: balanço

Pescadores - sequência 3: lançamento

Pescadores - sequência 4: redes

Pescadores - sequência 5: recolha das redes e o sorriso para a fotografia

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Díli - detalhes da cidade

É em Díli, capital de Timor-Leste, que vivemos. E, no entanto, o retrato da cidade aqui no blogue tem sido descurado. É aqui que passamos a maioria dos nossos dias, é aqui que trabalhamos. Percorremos estas ruas há quase um ano e meio. E a cidade, de início tão estranha e confusa, vai assim deixando de ter segredos para nós.
Normalmente, optamos por mostrar-vos locais mais remotos, passeios por paisagens marcantes, episódios que de algum modo se destacaram no nosso quotidiano. Por essa razão, a cidade que nos acolhe acaba por ficar relegada para segundo plano e esquecemo-nos que muitos de vocês ainda não conhecem as vistas que nos acompanham todos os dias. Por essa razão, iniciamos agora uma série de posts dedicados a Díli.
Como descreveriamos Díli? É uma cidadezinha agradável junto ao mar. Espalha-se por vários quilómetros desde o aeroporto Nicolau Lobato ao Cristo Rei. Não tem grandes pontos de interesse turístico, pois quase todos os edifícios históricos mais marcantes foram, numa ocasião ou noutra, destruídos. A construção é, por essa razão, recente e precária (muita é em madeira, palapa, tijolo de cimento e chapa de zinco). Os tempos livres são passados em caminhadas ou em puro descanso ora na praia, ora na montanha.
Não tem prédios com mais de quatro andares. Não tem semáforos a funcionar, nem sinais de trânsito. Não tem cinema (embora ocasionalmente sejam projectados filmes no auditório da Fundação Oriente), nem teatro. Não tem saneamento básico, nem água potável canalizada. Quase não tem caixotes do lixo nas ruas, nem há recolha selectiva do mesmo (normalmente o lixo é queimado no sítio onde é largado). Não tem talhos e a carne fresca é vendida em mercados a céu aberto (a congelada é vendida nos supermercados). Não tem peixarias e o peixe o vendido pelos pescadores à beira da estrada. Não tem muitos dos alimentos a que estavámos habituados em Portugal, sobretudo frutas (pêras, pêssegos, morangos, cerejas, melões, etc) e com frequência há ruptura dos stocks de produtos importados (iogurtes, leite e até água!).
Tem muitos restaurantes de todas as partes do mundo (timorenses, portugueses, indonésios, japoneses, singaporenses, australianos, malaios, tailandeses, indianos e até turcos e libaneses). Tem estradas em muito mau estado. Tem o trânsito caótico das cidades asiáticas. Tem muitos hóteis de baixa qualidade. Tem muitos edifícios públicos. Tem muitos vendedores ambulantes (conhecidos como “tiga-rodas” por transportarem a mercadoria num carrinho de três rodas). Tem duas rotundas (não nos enganámos, são mesmo só duas). Tem uma marginal lindíssima mas que está quase totalmente ocupada por embaixadas e residências de embaixadores. Tem um centro comercial (o Timor Plaza, aberto desde o final do ano passado). Tem alguns supermercados e inúmeros mercados. Tem muitos táxis, microletes e motos. Tem lojas de dvds pirateados. Tem sempre obras nas estradas. Tem um pôr-do-sol lindo. Tem montanhas com a forma dum crocodilo. Tem fruta e legumes locais muito bons. Tem muitas crianças e jovens (infelizmente tem também muitos órfãos). Tem muitas igrejas e uma mesquita. Tem o porto no centro da cidade e em água tão rasa que os barcos não podem aproximar-se. Tem mosquitos. Tem courts de ténis em dois bairros (Bebonuk e Liceu). Tem cortes de electricidade frequentes. Tem ainda edifícios queimados e em ruínas. Tem escolas e universidades e fardas coloridas para meninos e meninas.
Podíamos ficar aqui o dia todo e de certeza que nos esqueceriamos de inúmeros detalhes que caracterizam esta cidade em contante construção e crescimento, mas melhor do que as palavras são as imagens. Por isso, aqui fica uma série fotográfica das zonas de Caicoli, Vila Verde, Colmera, Motael, Porto de Díli e outras dispersas, para que recordem ou fiquem a conhecer melhor a Díli dos nossos dias.
Rotunda do Mercado Lama (a outra que existe é a do aeroporto)

Pequena loja que vende de tudo um pouco (lenha, sumos, pastilhas, águas, bolachas, etc.), em Caicoli (também chamado Mascarenhas). Este tipo de quiosque existe um pouco por todo o país.

Oficina de automóveis em Caicoli

Estrada de Caicoli, impecável sem um único buraco

GNR, em Caicoli

Camp Phoenix, em frente à GNR

Atrás, edifício queimado e em ruínas. Em primeiro plano, rapaz a lavar táxi, entre Caicoli e Colmera.

Lavagem de táxi, entre Caicoli e Colmera

Hortas de Caicoli que abastecem muitos mercados locais

Catedral, em Vila Verde

Estação de serviço Tiger, no Bairro Mandarim

Wasabie, restaurante indonésio e japonês de que gostamos, no Farol

Homenagem ao Guerreiro da Libertação Maubere, no jardim entre Motael e Colmera

Sporting Clube de Timor, em frente ao Porto de Díli

Baía de Díli, vista do Palácio do Governo

Palácio do Governo

Baía

Casa Europa, com painel das estatísticas dos acidentes rodoviários

Livraria (tem livros infantis, livros de leitura obrigatória nas escolas e algumas biografias), em Bidau-Lecidere

Sport Díli e Benfica, perto do Liceu

Loja de electrodomésticos e de tudo o que está pintado na parede, em Colmera (o bairro mais comercial)

Comércio de Colmera

Vende-se de tudo aqui, em Colmera

Estrada em frente ao Porto, entrado na Av. de Portugal (ou Marginal)

Estado da estrada depois duma chuvada, em Motael

Marginal a precisar de piso novo, entretanto já reparado para as comemorações do 20 de Maio

Igreja de Motael