segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pelas montanhas de Aileu

Saímos de Ermera de volta a Gleno e aí decidimos regressar a Díli pela estrada que vai dar a Aileu, em vez de fazermos o mesmo caminho de volta. Mal sabíamos que a “estrada” que nos esperava não passava dum caminho de terra batida e pedra, pelo qual certamente não passava um carro há muito tempo! Seguimos por entre montanhas e vales, arvoredos e arrozais, curvas e contracurvas, penhascos e planícies, por paisagens que desconheciamos, numa viagem tão turbulenta e cansativa como surpreendente! Por fim chegámos a Díli! Cansados mas dando o dia como bem aproveitado! E depois de tantas aventuras o carro tinha sobrevivido, embora fosse directo para a oficina mudar as pastilhas dos travões!
Encosta coberta por Madres del Cacao

No vale de Gleno

Arrozais de Gleno I

Arrozais de Gleno II

Arrozais de Gleno III

Estrada à saída de Gleno

Montanhas a caminho de Aileu

No topo da montanha

Ribeira

Capela

Montanhas até ao infinito para o interior da ilha
Arrozais a caminho de Aileu I

Arrozais a caminho de Aileu II


Arrozais a caminho de Aileu III

Arrozais a caminho de Aileu IV
 
Cemitério na montanha

Campa no topo da montanha, bem perto do céu!

Núvens a invadir o vale

Finalmente, o Cristo Rei à vista!
De volta a Díli

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ermera

Depois de Gleno, continuámos estrada fora até Ermera. Pelo caminho, cada vez mais estreito e sinuoso, fomos passando por ribeiras e atravessámos pontes militares bem ao estilo dos filmes sobre a Guerra do Vietname! O cenário era deslumbrante!



Chegados a Ermera, uma vilazinha no topo da montanha onde a estrada acaba e a vista se perde no horizonte, começámos à procura de um sítio onde pudéssemos almoçar. Procurámos no centro da vila, no monte da igreja e nada! Tínhamos ideia de que aqui existia uma pousada, mas pelos vistos estávamos enganados (mais tarde viemos a confirmar que a tal pousada existe mesmo mas fica em Gleno, não em Ermera!). Depois do entusiasmo inicial passar e já desanimados com a perspectiva de não haver almoço, conhecemos um casal que vive num descampado perto da igreja e que se revelou crucial na nossa viagem!

Avenida principal de Ermera
Igreja de Ermera
O Sr. Francisco e a Sr.ª Aquilina são dois timorenses muito simpáticos que ao aperceberem-se da nossa desorientação nos convidaram, em pleno Domingo de Páscoa, para irmos até casa deles petiscar qualquer coisa! Estavam espantados por termos ido de propósito de Díli até Ermera apenas em passeio. Habitualmente, os únicos malais (estrangeiros) que por lá aparecerem são os professores portugueses e os médicos cubanos. Turistas são ainda uma espécie rara!
A casa onde moram é surpreendente! Tem esculturas e pinturas coloridas por todo o lado, feitas pelo próprio Sr. Francisco, que estudou técnicas de artesanato em Bali. Infelizmente, o artesanato não lhes dá dinheiro suficiente para viver e por agora serve apenas para embelezar a sua própria casa!

A casa do Sr. Francisco e da Sra. Aquilina à direita e o Lindo à volta da Joana
Aceitámos o convite para lanchar e fomos apresentados ao Lindo, o cão da família que faz mesmo jus ao nome e se destaca pelo ar saudável e feliz (embora o João, um dos nossos companheiros de viagem, estivesse cheio de medo que tivesse raiva)! De seguida, fomos brindados com um maravilhoso lanche composto por pão-de-ló, broas e bolachas caseiras, coca-colas e águas fresquinhas. Enquanto comíamos e observávamos as fotografias de família cuidadosamente penduradas na parede da sala fomos descobrindo que este casal apoiou durante anos a resistência, fornecendo comida, roupas e informações através dos padres católicos que faziam a ligação entre Ermera e as povoações mais distantes perdidas na montanha. Ela chegou mesmo a receber uma medalha de mérito pelos serviços prestados contra a ocupação indonésia! Hoje são um casal pacato e muito orgulhoso dos filhos, todos licenciados ou estudantes universitários!
Depois de tanta hospitalidade, despedimo-nos e deixámos os nossos contactos na esperança de poder retribuir o gesto na próxima vinda do casal a Díli!
Já de barriga e alma cheias, voltámos à estrada, preparando-nos para iniciar o regresso a Díli mas desta vez pelas montanhas de Aileu, com direito a cascatas, mais arrozais e muitas encostas cobertas de árvores!



Reparem no sistema de canalização: as águas das chuvas são encaminhadas por canos de bambú até pequenos depósitos juntos às casas dos vales






sexta-feira, 6 de maio de 2011

A caminho de Gleno

A primeira etapa da nossa viagem de Domingo de Páscoa foi Díli – Gleno, um vale de arrozais rodeado de montanhas cobertas com árvores densas e faustosas. Saímos de Díli pela manhã e, assim que nos afastámos da costa, começámos a nossa aventura pelas estradas da montanha. Inicialmente, ainda conseguíamos ver o mar mas gradualmente esta vista foi sendo substituída por ribeiras, montanhas, florestas, arrozais e pequenas aldeias igualmente impressionantes!
Início da subida da primeira montanha, ainda com o mar a espreitar a cada curva e a ilha de Ataúro ao fundo!

A vegetação cada vez mais densa

Os primeiros arrozais que encontrámos pelo caminho


Montanhas, bananeiras e arrozais...paisagem típica!

Aldeia protegida pelas árvores

No topo da montanha

Madres del cacao: as árvores altas que aqui se utilizam para proteger os pés de café do sol!

Um vislumbre do estado em que a estrada está! E quanto mais para o interior, pior!

Madres del cacao vistas ao perto

Capela à entrada de Gleno

Uma das poucas sinalizações que encontrámos na viagem!

A estrada a ruir

Monumento aos Heróis da Libertação Nacional

Os arrozais de Gleno

Uma das ribeiras que alaga o vale de Gleno

Arrozais

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Domingo de Páscoa

Longe da família, do cabrito, do folar, das amêndoas doces e dos ovos de chocolate (por aqui esses doces não são tradição), aproveitámos o Domingo de Páscoa para ir passear. Juntámo-nos a mais três amigos e com o jipe cheio rumámos numa nova direcção. Como já conhecemos a costa nos arredores de Díli, agora foi a vez de espreitarmos a montanha! Este é talvez o traço mais marcante da geografia da ilha: praias paradisíacas rodeadas de grandes escarpas e cordilheiras que vão até ao interior da ilha.
Saímos de Díli em direcção a oeste e depois partimos para sul, rumo às montanhas de Ermera. Pelo caminho, visitámos o vale de Gleno. E à volta decidimos vir pela estrada de Aileu e entrar em Díli por Dare.
Grande parte das estradas que percorremos estava em péssimo estado: cheia de curvas, buracos, abatimentos, lama, um desafio até para os estômagos mais resistentes… felizmente ambos superámos esta prova sem enjoos! Mas as paisagens que descobrimos fizeram com que a viagem e o cansaço valessem a pena e ficámos deslumbrados com as montanhas cobertas de árvores e os vales alagados onde crescem arrozais! Tão depressa nos sentíamos numa montanha japonesa, como num vale vietnamita e deu para perceber a diversidade desta ilha e o que ainda temos para explorar!
Esta volta ocupou-nos quase um dia inteiro mas, como podem ver pelo mapa, foram apenas umas dezenas de quilómetros.