segunda-feira, 6 de junho de 2011

Maubara

Maubara é uma pequena vila costeira situada a oeste da cidade de Liquiçá. Em tempos, a vila esteve ocupada por holandeses, que aqui deixaram um Forte como testemunho da sua presença. Mais tarde (já no século XIX), Portugal trocou a ilha de Flores pelo enclave de Maubara, que assim passou a integrar o território português.
Entre as ruínas do forte e o mar estão três "barracas" de venda de artesanato de uma cooperativa de mulheres locais. A oferta de produtos é variada e, de uma maneira geral, com bom gosto. Desde a cestaria às almofadas, passando pelos espanta-espíritos às malas, vendem-se aqui objectos que se encontram em todas as casas timorenses, sem excepção. Nós naturalmente aproveitámos a viagem para aumentar o conforto de nossa casa e investimos alguns dólares na aquisição duns almofadões gigantes, que tanto jeito estão a fazer!
Curiosamente, o desenvolvimento de Maubara está a ser apoiado pela cooperação portuguesa em Timor-Leste, que aqui constituiu um "cluster". Este apoio centra-se no projecto "Mós bele" ("Nós conseguimos", uma alusão ao “Yes, we can” de Obama...) e, para além do artesanato, tem vindo a  apoiar a actividade dum pequeno restaurante no forte. Foi aí que almoçámos e podemos afirmar que foi das refeições mais bem confeccionadas que comemos em Timor! Franguinho com arroz de açafrão, milho e salada, uma delícia! Foi uma tarde muito bem passada!
Caminho Díli - Maubara assinalado a roxo


Porta do Forte

As muralhas do Forte
Canhão sobre a baía
Restaurante dentro do Forte
Aqui fica a prova de que o restaurante se chama "Tia Janer" =)
Zona Lounge feita com mobiliário em bambú de Liquiçá e almofadas de Maubara
Parque infantil dentro do Forte
Barraca de venda de artesanato
Vista do Forte sobre as barracas de artesanato e a praia de Maubara

sábado, 4 de junho de 2011

Momentos insólitos

Timor-Leste tem-nos proporcionado muitos momentos insólitos, deixando-nos frequentemente a duvidar se aquilo que os nossos olhos estão a ver estará mesmo a acontecer ou não.
Neste dia, quando a Joana saiu do escritório deparou-se com esta visão: um jipe da ONU enfiado numa vala! Ou o condutor estava muito bêbedo ou muito distraído! De qualquer modo, se os timorenses conduzem pessimamente mal (que conduzem), o exemplo que recebem dos condutores da ONU não é o melhor! São uns verdadeiros cowboys da estrada, que não respeitam qualquer regra de trânsito, andam a velocidades estonteantes, param em qualquer lado, enfim, fazem com que andar na estrada seja talvez das coisas mais irritantes que Timor tem!

Dia Mundial da Criança

A propósito do Dia Mundial da Criança e desta triste notícia publicada no Sapo TL:
Aqui ficam alguns retratos de meninas e meninos timorenses com que nos cruzámos durante a nossa estadia!
Acampamento escuteiro

Gleno

Ermera

Ermera

Aileu

Aileu
Same

Same

Natarbora

Natarbora

Natarbora

Same
Same

Same

Manatuto

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pôr-do-sol na praia do Dólar

Este post começou com uma entrada no Facebook do Bruno. Mas para todos aqueles que não estão no nosso Facebook, e para aqueles que estão, gostaram e querem mais, aqui fica uma sequência do maravilhoso pôr-do-sol a que assistimos na praia do Dólar em hora de maré baixa e já com a barreira de coral ali à vista!













sábado, 21 de maio de 2011

Dia da Restauração da Independência

Ontem, dia 20 de Maio, festejou-se o feriado da Restauração da Independência!
Os festejos incluíram a tradicional parada militar, os discursos de Presidência Ramos Horta e do Primeiro Ministro Xanana Gusmão, a entrega de medalhas e, à noite, fogo de artifício. A cidade foi toda enfeitada com bandeiras e sentia-se o clima de festa, com grupos de pessoas a gritar “Viva Timor-Leste!” e outros a devolver “Viva!”. Esta data tem um impacto enorme, uma vez que a maioria da população nasceu e viveu antes da independência e muitos lutaram e deram a sua vida por ela!
De facto, no dia 30 de agosto de 1999, após décadas de ocupação indonésia e apesar das ameaças, mais de 98% da população timorense foi às urnas para votar no referendo patrocinado pela ONU, e o resultado apontou que 78,5% dos timorenses queriam a independência. Em resposta, as milícias, protegidas pelo exército indonésio, desencadearam uma onda de violência e homens armados mataram nas ruas todas as pessoas suspeitas de terem votado pela independência e outras tantas foram levadas à força em camiões, sendo o seu paradeiro desconhecido ainda hoje.
Perante esta situação, a ONU decidiu criar uma força internacional para intervir na região. Em 22 de Setembro de 1999, entraram em Díli soldados australianos sob bandeira da ONU e encontraram um país totalmente incendiado e devastado.
Depois de um ano e meio de administração da ONU, em Abril de 2001, os timorenses foram novamente às urnas para a escolha do novo Presidente do país e a escolha recaiu sobre Xanana Gusmão. Em 20 de Maio de 2002, Timor-Leste tornou-se totalmente independente!

À meia-noite do dia 19 de Maio de 2002, a bandeira das Nações Unidas foi retirada e a bandeira de Timor-Leste independente foi erguida.
Segundo a Constituição da República Democrática de Timor Leste, o triângulo amarelo representa "os traços do colonialismo na História de Timor-Leste"; o triângulo preto representa "o obscurantismo que precisa ser superado"; a base vermelha representa "a luta pela libertação nacional"; enquanto a estrela é "a luz que guia", sendo branca para representar a paz!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Casas, cabanas e palhotas

Em Díli, a maioria das habitações é constituída por moradias térreas, feitas de tijolo e telhados de zinco (algumas, poucas, mesmo com telha), com várias divisões, alpendre e jardim. São casas que ficaram do tempo da colonização portuguesa. E, embora muitas delas precisem de obras urgentes, reúnem as condições mínimas de habitabilidade.
Também vão surgindo pequenos prédios de dois ou três andares. Infelizmente, a cidade vai crescendo sem qualquer tipo de planeamento e parece que já foi aprovada a construção de um edifício de dez andares para instalar o poderoso Ministério das Finanças e de quatro torres de escritórios bem no centro de Díli! Facto curioso é que os dois únicos elevadores que existem em Timor-Leste estão no edifício do MNE, sendo que um deles já está avariado! Acreditamos (e não estamos sozinhos nisto) que a cidade e os seus habitantes ficariam a ganhar se fosse investido mais tempo e dinheiro na elaboração de um plano de urbanização ponderado a longo prazo, na recuperação dos edifícios que já existem e estão degradados (quer pela idade, como pelo abandono, o clima, os incêndios de 2006...) e na manutenção da arquitectura e tipo de construção típicos da ilha. Tentar fazer de Díli uma réplica de Singapura vai demorar gerações, custar muitos milhões e levar à descaracterização da cidade e à perda dos seus traços mais marcantes!
Fora de Díli no entanto o cenário é completamente diferente. As cidades e capitais de distrito não passam de pequenos povoados e as aldeias mais não são do que aglomerados familiares de quatro ou cinco casas. Muitas vezes encontramos casas completamente isoladas, escondidas atrás da vegetação. Feitas com os materiais que a ilha oferece, muitas destas casas não passam de cabanas de madeira com tecto de colmo. Outras ainda são verdadeiras cabanas feitas de palha entrançada, como se de um cesto gigante se tratassem! São esteticamente bonitas e muito frescas, propiciando abrigo contra pessoas e animais e sombra do sol abrasador! Estão completamente integradas na paisagem mas falta-lhes tudo o que associamos a uma casa habitada (desde luz, água, portas, mobílias). São naturalmente casas de sobrevivência, onde a utilidade se sobrepõe ao conforto!
Para além das casas que servem de habitação, existem ainda os abrigos de animais e de pessoas, que são compostos apenas por quatro estacas com tecto de colmo. Protegem pastores desprevenidos das tempestades tropicais e servem muitas vezes para fazer uma sesta à sombra, entre as longas caminhadas que as populações das áreas rurais são obrigadas a fazer!