sábado, 9 de abril de 2011

Bali - dia 4: a despedida

No último dia da nossa estadia em Bali, tivemos apenas tempo para tomar um bom-pequeno almoço e seguirmos para o aeroporto onde nos entretivemos a estoirar as últimas rupias que nos sobraram em souvenirs de última hora!
Bye-bye Bali! Esperamos voltar em breve, noutras circunstâncias e com mais tempo para explorar outras zonas da ilha!
Oferendas balinesas: por todo o lado encontramos estes cestinhos cheios de flores, doces, incenso (à porta das lojas, entrada de templos, aeroporto...ninguém arrisca não as ter!)! São lindas! Terima kasih (obrigada) Bali!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bali - dia 3: o passeio

O terceiro dia em Bali foi inteiramente dedicado a conhecer um pouco da ilha e a aproveitar o que de melhor esta tem para oferecer.
Depois de tomarmos o pequeno-almoço no hotel, fomos à procura do meio de transporte que nos levaria a percorrer a ilha. Decididos a aproveitar o dia ao máximo e bem ao estilo indonésio, alugámos uma mota e fizemo-nos à estrada!
Em Bali conduz-se à esquerda, tal como em Timor-Leste, e o número de motas a circular é tal que, ao longe, parece que se aproxima uma praga de insectos a grande velocidade. No entanto, e por ser época baixa, decidimos arriscar! Montados na nossa acelera cor-de-rosa, rumámos a norte com destino a Pura Tanah Lot, o mítico templo situado num rochedo no mar, onde só é possível aceder durante a maré baixa.
45 minutos depois de começarmos a nossa viagem e depois de percorrermos calmamente a estrada ladeada de arrozais, chegámos ao destino. Como ainda era de manhã cedo, os turistas escasseavam e pudemos apreciar o templo, a vista e o mar com calma e descontracção. O templo faz parte de um conjunto de símbolos de devoção dos deuses do mar e atrai muitos visitantes não só pela sua arquitectura ímpar, mas também pela paisagem envolvente, havendo verdadeiras romarias de turistas que aqui vêm assistir ao pôr-do-sol. Muitos flashes depois, voltámos pela mesma estrada para Seminyak. Só este passeio já valeu a viagem à ilha.
Aqui esperava-nos uma deliciosa massagem de reflexologia no spa Chill. Por toda a ilha podemos encontrar lugares onde se fazem as mais diversas massagens e tratamentos de beleza, a maioria deles a preços irrisórios. Spas, hóteis, praias e até o aeroporto são apenas alguns dos locais que oferecem este tipo de serviços aos turistas que por ali passam. Existem massagens para todos os gostos e o único problema é perceber qual é a que mais se adequa ao gosto de cada um. Optámos por uma massagem de relaxamento de 60 minutos, de intensidade média, dos pés à cabeça. Ao chegarmos, ofereceram-nos um chá fresco e um ipod onde podíamos ouvir música chill out. Todo o ambiente convidava ao descanso e foi com a alma e o corpo renovados que uma hora depois nos despedimos do Chill.
Seguimos para um pitoresco restaurante de inspiração francesa (os donos são um casal de franceses que se mudou para Bali há alguns anos) mesmo do outro lado da estrada. Completamente satisfeitos, fomos então conhecer o destino turístico por excelência da ilha: Legian e Kuta. Só podemos dizer que foi uma tremenda desilusão! As ruas não passam de vielas estreitas e sujas, repletas de lojas de souvenirs baratos e feiras de roupa… assim de repente faz lembrar o pior de Montegordo juntamente com a feira de Carcavelos. E o trânsito era caótico, tornando a circulação quase impossível e por vezes até perigosa! Até mesmo a praia nos desiludiu, com uma areia muito suja e lixo amontoado por todo o lado... está longe de ser o paraíso idílico que as agências de viagem tentam vender! Este não é definitivamente o nosso conceito de férias e a todos os que pensam visitar Bali aqui fica a nossa viva recomendação para que não escolham um hotel localizado nesta zona. A ilha é grande e diversificada e certamente encontrarão outra zona longe daqui que vos irá oferecer o que procuram (seja boas ondas para surfar, templos, arrozais, praias desertas, resorts de luxo, montanhas e vulcão, lojas e artesanato locais).
Decidimos então regressar ao hotel e passar o resto do dia por lá a descansar e a aproveitar os efeitos da massagem que tínhamos recebido!
Pequeno-almoço à americana: ovos e salsichas

Pequeno-almoço à indonésia: nasi goreng (arroz frito com ovo estrelado e hóstias de camarão)

A entrada do templo

Pura Tanah Lot: modo turísta activado!

Pura Tanah Lot na maré baixa com os peregrinos a visitar a Nascente Sagrada

Na praia

De uma outra perspectiva

A paisagem que muitos procuram para assistir ao pôr-do-sol

Fotografia do fotógrafo

Os turistas

A chegar ao paraíso

A nossa motinha

Motard pela primeira vez na vida! E divertimo-nos tanto!

Os sorrisos à saída =)

Um cheirinho a sul de França em Bali

Chilling-out

terça-feira, 5 de abril de 2011

It's my party!!!

Dia 28 de Março, o segundo dia em Bali, foi também dia de festa: a Joana celebrou os seus 27 anos! E o dia, que tinha começado mal, acabou por terminar bem.
Passado o efeito da anestesia e já sem qualquer dor, fomos dar um passeio por Seminyak. Esta zona de Bali é muito turística e fica mesmo a norte de Kuta e Legian, que são as zonas onde o turismo em Bali teve o seu início e onde ainda hoje surfistas e adolescentes se passeiam em trajes de praia e de Bintang (cerveja indonésia) na mão. Seminyak é relativamente mais calmo, com menos trânsito e oferece serviços de qualidade superior. Aqui ficam os famosos Oberoi e Ku-de-ta, dois bastiões turísticos de fama internacional que há décadas atraem a beautiful people que visita a ilha. As principais ruas de Seminyak estão repletas de hotéis, restaurantes, spas e muitas lojas de roupa e acessórios de moda. É aqui que muitos estrangeiros que escolhem Bali para viver montam o seu negócio, fazendo com que esta zona seja conhecida como um óptimo lugar para fazer compras!
Embora tenhamos vivido dois meses e meio num país onde não existem lojas como as que conhecemos na Europa, não sentimos grande vontade de esbanjar rupias em coisas que pouca ou nenhuma falta nos fazem no dia-a-dia em Timor-Leste. Um biquíni para a Joana e duas camisas de linho para o Bruno foi tudo o que comprámos. E ficámos satisfeitos!
Depois das compras, fomos visitar o templo de Pura Petitenget e a respectiva praia, onde assistimos ao pôr-do-sol. Demos um mergulho rápido na piscina do hotel... E para jantar, escolhemos um dos restaurantes na praia de Jimbaran. Esta zona é famosa pelos fabulosos jantares de marisco grelhado com vista sobre a baía e os pés na areia. O repasto, acompanhado por um grupo de cantores locais que trauteavam alegremente alguns clássicos que todos conhecemos, estava óptimo! E a celebração dos 27 anos da Joana em Bali, depois de uma série de percalços, e mesmo sem bolo ou parabéns cantados por todos, foi um momento que não esqueceremos mais!
Fim de tarde na praia de Seminyak

O mar de Bali

Entrada para o templo com oferendas dos fiéis colocadas em cada lado

Só podem entrar no templo os fiéis que enverguem o traje tradicional balinês, por isso ficámos à porta

Na piscina, de frangipani e biquíni novo

Por fim, a brincar e a relaxar

O descanso dos guerreiros
 ~^
A mariscada: sopa de peixe, arroz, legumes e calamares a acompanhar caranguejo, camarão, lagosta, ameijôas e peixinho! Muito bom!

O fim dum dia longo mas memorável (que terminou com um taxista a apostar que a Joana não tinha mais de 20 anos, fechando o dia em grande!)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bali - dia 2: o dentista

Acordámos de manhã cedo e seguimos para o dentista. O primeiro que tentámos, em Kuta, tinha marcações o dia todo e só estava disponível no dia seguinte à tarde… Desanimados, perguntámos se conhecia outro dentista qualquer que pudesse recomendar. Respondeu afirmativamente e ligou logo para lá. Por coincidência, o consultório para onde ele estava a ligar correspondia ao que o dentista em Díli nos tinha falado, o que nos deixou um pouco mais tranquilos. E como tinha disponibilidade imediata, lá seguimos para Denpasar.
Embora o consultório fizesse lembrar um daqueles dentistas antigos da Av. da República, o tratamento correu muito bem! Era uma clínica cheia de dentistas indonésias e de doentes australianos (como em Bali os tratamentos são substancialmente mais baratos do que na Austrália, os turistas aproveitam sempre umas horas das férias para fazer uma consulta)! Leram a carta do dentista de Díli, fizeram uma radiografia e o diagnóstico. Disseram logo qual seria o preço do tratamento e quando o aceitámos, deitaram mãos à obra. Anestesia local (claro que o Bruno assim que ouviu a palavra “anestesia” ia desmaiando automaticamente e teve de se deitar e beber água com açúcar até se mentalizar que tinha mesmo de ser), seguida de 3 horas de tratamento!!! Foi uma preocupação mas no fim a dentista parecia estar satisfeita com o resultado final e confirmou que o tratamento tinha sido uma desvitalização definitiva, sem necessidade de lá voltar ou de repetir outras sessões. Voltámos ao hotel e esperámos que o efeito da anestesia passasse. Umas horas depois… surpresa!!! Pela primeira vez em mais de uma semana, o Bruno não sentia qualquer dor =)
À espera que o efeito da anestesia passe

A companhia do "gazebo"



A lounge area do hotel

quinta-feira, 31 de março de 2011

Bali – dia 1: a espera

De bilhetes na mão e mochilas às costas, lá seguimos a nossa viagem rumo a Bali, na esperança de resolver o problema do Bruno e quiçá poder aproveitar ainda para descansar e conhecer um pouco da ilha!
Domingo ao almoço apanhámos o voo da Merpati num avião NÃO-homologado pelas normas internacionais de aviação civil, que numa hora e meia nos levou até ao nosso destino. Apesar das nossas reticências quanto à segurança do avião, o voo fez-se com normalidade (embora o Bruno estivesse a contorcer-se de dores grande parte do tempo).
Chegados a Bali, percebemos logo que estávamos num sítio turístico: um aeroporto com 2 terminais, free shop com marcas internacionais e muito artesanato local, dezenas de casas de câmbios, grupos organizados de turistas (sobretudo asiáticos), panfletos de excursões, transfers para os hóteis, uma rede de táxis em bom estado… tudo isto são coisas que quem vem de férias a Timor-Leste não deve contar encontrar (encontrará outras certamente mais exóticas e de beleza ímpar, mais apropriadas a espíritos aventureiros e que procuram uma experiência num local inexplorado!).
Entrámos num táxi e seguimos por uma estrada sem um único buraco, interrompida apenas por rotundas decoradas com bonitas estátuas de deuses e lendas hindus! Bali, embora politicamente integre a Indonésia, é uma ilha muito distinta das restantes. Por exemplo, aqui a percentagem de muçulmanos é muito baixa, a maioria da população é hindu, com diversas especificidades e variantes que se desenvolveram ao longo dos séculos e que só se podem encontrar em Bali. A presença de milhares de turistas há várias décadas também contribuiu para o desenvolvimento de um espírito mais tolerante, pelo que as mulheres ocidentais podem andar descontraidamente na rua em roupa de praia que ninguém repara nisso.
O nosso hotel (encontrado numa óptima promoção do site AGODA – obrigada Inês pela dica!) ficava em Seminyak e era bastante confortável. Fora do centro da confusão e do barulho, ficava suficientemente perto para lá ir a pé se assim quiséssemos. Essa tarde foi passada precisamente no hotel a descansar e na expectativa do que a ida ao dentista no dia seguinte nos iria reservar!
O avião...que medo!

O quarto

O quarto

O wc

O jardim e a piscina

A vizinhança

quarta-feira, 30 de março de 2011

O filme surreal que é activar o seguro de saúde internacional!

Toda a gente sabe que o fim do negócio das seguradoras é, como em qualquer outro negócio, o de gerar lucro. E sobre isto nós não tínhamos qualquer dúvida! A questão é que nos seguros de saúde (que as seguradoras já só celebram com pessoas saudáveis na expectativa de que paguem por muitos anos e nunca precisem de recorrer a tais serviços), há (ou tem de haver) uma certa moralidade que limita a visão negocial desta relação entre seguradora e segurado! Neste aspecto, sim, estávamos iludidos!
Depois do episódio descrito no post anterior e já com o relatório do dentista na mão, em que era feito o diagnóstico, se confirmava a necessidade de tratamento urgente e se atestava a impossibilidade de o realizar localmente, o Bruno entrou em contacto com a seguradora a quem contratámos um seguro de saúde internacional, por assim acreditarmos que estávamos mais protegidos perante qualquer eventualidade.
Recolheram os dados pessoais e da apólice e pediram para enviar o relatório do dentista. Enviámos. A seguir, pediram-nos um relatório do dentista de Portugal a dizer qual a data da última consulta e qual a situação clínica nessa altura. Explicámos que estávamos em Díli, a 9 horas de diferença de Lisboa, e que não sabíamos qual a disponibilidade do dentista para fazer isto com a brevidade que esta situação exigia. Não quiseram saber. Precisavam desse relatório para averiguar se esta dor de dentes se devia a uma condição pré-existente à data da assinatura da apólice. Ok. Contactámos o dentista que, percebendo a gravidade da situação, nos enviou à primeira hora do dia uma declaração a confirmar que a última consulta fora no dia 20 de Dezembro de 2010 e que nessa altura a condição era saudável (enviou até uma radiografia a confirmar o que era dito no relatório). Enviámos o relatório e a radiografia e não obtivemos qualquer resposta. Desesperados, voltámos a ligar e disseram que afinal também era preciso um historial clínico feito pela médica de família!!!
Aqui o caldo já estava entornado: alguém é capaz de explicar para que raio precisa a seguradora dum historial clínico quando já tem um historial dentário e o caso era precisamente relativo à desvitalização dum dente?! E porque não pediram logo no primeiro contacto? Será que ainda não perceberam que estamos em Díli?? (Talvez não tenham percebido mesmo, uma vez que quando dissemos que estávamos em Díli, Timor-Leste o operador nos perguntou se Timor-Leste era um país!) Enfim, não percebemos e ninguém na seguradora nos soube explicar também. A única resposta, repetida até à exaustão, foi “Não podemos fazer nada sem o historial. É o procedimento.”!
Enfim, lá arranjámos e enviámos o tal historial. A indicação da seguradora foi que, depois de recebido este documento, davam a resposta dentro de 1 hora. Passaram mais de 14 horas e não disseram nada! Ligávamos para lá e não atendiam! Ou pior, atendiam e depois ligavam o gravador e deixavam-nos pendurados (reparem que todas as chamadas, mesmo para a linha de emergência, são pagas!)! Completamente indignados com este comportamento, enviámos um último e-mail a informar que iriamos reportar a situação ao ISP. E foi então que decidimos viajar até Bali no dia seguinte e pelos nossos próprios meios encontrar um dentista credível que resolvesse esta situação.
E eis senão quando, passadas nada mais nada menos do que 24 horas desde o envio do historial clínico, recebemos um telefonema da seguradora a dizer que o tratamento do Bruno tinha sido aprovado e que de facto era muito urgente e portanto iriam marcar-lhe uma viagem para Portugal para esse efeito. Para Portugal??? Parecia brincadeira e não estávamos mesmo a acreditar nesta resposta! Então a situação é urgente, o tratamento tem de ser imediato, o Bruno está com dores tais que quase desmaiou por duas vezes e estes senhores sugerem que ele se meta no voo a alta altitude que dura 2 dias, com no mínimo 2 escalas, para ir tratar o dente? Sendo que existem soluções seguras disponíveis, mais rápidas e mais baratas nos 3 destinos com voo directo a partir de Díli?! A única explicação plausível que encontramos para tal proposta é que a seguradora sabe que, ao propor uma solução tão ridícula, quase ninguém a vai aceitar e assim, mais uma vez, não entram em despesas e cumprem o seu fim, o lucro! Imoral é o único adjectivo apropriado para descrever os serviços destes senhores!
Mas desenrascados como somos e sempre optimistas (como a Joana é), aprontámo-nos a marcar todos os pormenores para a viagem a Bali (uma vez que para Darwin é preciso obter visto com antecedência e Singapura é mais longe e mais caro). Arranjámos um directório dos dentistas locais, consultámos os respectivos websites e ouvimos opiniões de algumas pessoas que já lá tinham ido fazer tratamentos e, cheios de fé (a Joana) e de dores (o Bruno), lá fomos no Domingo rumo a um novo destino médico e, coincidentemente, de aniversário e descanso!

O outro lado de Timor-Leste: a falta de assistência médica

Temos vindo a dar-nos conta de que o quadro que aqui pintamos de Timor-Leste está bastante “cor-de-rosa”. De facto, tudo o que aqui escrevemos é verdade e as fotografias foram mesmo tiradas por nós nas nossas aventuras locais, mas a vida não é tão idílica como possam imaginar! E os problemas vão surgindo inesperadamente… A semana passada reservou-nos uma desagradável surpresa: o Bruno esteve doente. Nada de grave, uma dor de dentes terrível que teimava em piorar a cada dia que passava. A este pretexto seguem algumas considerações “menos românticas” da vida na ilha.
Os cuidados de saúde prestados em Timor-Leste são ainda muito precários, muito longe daqueles a que estamos habituados, mesmo no pior hospital público que conheçam em Portugal. Não é tanto pela falta de mão-de-obra que os serviços clínicos não funcionam mas sobretudo pela falta de equipamento e de medicamentos. Encontram-se aqui a trabalhar umas centenas de médicos cubanos muito competentes e disponíveis (coitados, não têm outro remédio, uma vez que assim que chegam ao aeroporto são obrigados a entregar os passaportes à Embaixada de Cuba e só voltam a sair do país quando a Embaixada os devolve!!!) e existem alguns hospitais e centros de saúde bastante apresentáveis… Mas depois se no Hospital Guido Valadares (o maior de Díli) for preciso tirar uma radiografia para confirmar se alguém tem ou não tuberculose, a máquina está avariada e não sabem quando é que o técnico indonésio a pode vir reparar!!! Isto é apenas um exemplo da realidade que aqui se vive todos os dias há vários anos! E se é assim em Díli, podem imaginar como será nos restantes distritos, onde o isolamento e a falta de assistência leva grande parte da população a recorrer a curandeiros e a mezinhas tradicionais! E não surpreende que este seja um dos países com maior taxa de mortalidade no parto (tanto das mães como dos bebés)!
Ora, se nem os cuidados básicos de saúde estão disponíveis, muito menos estão os cuidados, digamos, suplementares, como o dentista! Confrontado com uma dor de dentes terrível, o Bruno consultou os dois dentistas que existem em Díli! O primeiro era duns chineses que não falavam uma palavra doutra língua que não fosse mandarim. A consulta era feita na recepção duma farmácia e as condições dispensam mais comentários! Ali não estava reunido o mínimo indispensável para fazer o que quer que fosse, muito menos tratamentos dentários! A segunda opção, tendo em conta o contexto, foi uma agradável surpresa: um dentista chino-australiano, licenciado na Austrália, fluente em inglês, com um pequeno gabinete nas traseiras também duma farmácia (pelos vistos é uma combinação comum!) mas que estava bastante limpo, apresentável e que inspirou alguma confiança (sobretudo pela presença dum esterilizador e do uso de luvas e máscaras descartáveis). Dispunha de aparelho para fazer radiografias e viu logo ali que o Bruno precisava de desvitalizar com urgência um dente que tinha o nervo inflamado. Infelizmente, ele não tem meios em Díli para fazer esse tipo de tratamento! A solução seria ir a Bali, Darwin ou Singapura! Em Díli não se desvitalizam dentes, arrancam-se! E fazem-se diagnósticos para tratamentos noutros países… E foi assim que uma dor de dentes se tornou também numa dor de cabeça!
Decidimos então contactar o seguro de saúde e aí começou outro filme que fica para outro post porque este já vai longo…