sábado, 8 de outubro de 2011

Turistas em Timor-Leste!

Nas últimas duas semanas, tivemos a companhia da Sara (irmã da Joana) e do Pedro (o namorado)! Vieram de Lisboa para passar três semanas no sudeste asiático, duas delas em Timor-Leste! E foi tão bom!
Foi a primeira visita que recebemos desde que nos mudámos e sabemos que infelizmente não teremos muitas mais! A longa distância que nos separa da terra-natal, a estranheza dum país exótico e sub-desenvolvido que tão mal conhecemos, o medo das doenças tropicais e da violência que ocasionalmente desponta, os preços proibitivos das viagens de avião necessárias para cá chegar… são muitas as razões que levam a que o fluxo de turistas portugueses em Timor-Leste seja muito reduzido, sobretudo quando comparado com os aventureiros que chegam da Austrália ou daqueles que decidem fazer aqui uma paragem durante um périplo pelo sudeste asiático! E por mais que tentemos convencer os nossos familiares e amigos a cá virem, deparamo-nos sempre com argumentos válidos que dificilmente poderemos rebater, e só nos resta esperar que num momento de coragem comprem a viagem e não se arrependam mais tarde.
Felizmente, a Sara convenceu-se a vir visitar-nos ainda nós não tínhamos descolado de Lisboa! Mais aventureira do que a conhecíamos, com um espírito aberto para receber o que de bom esta terra tinha para lhe oferecer, percorreu a costa norte da ilha de lés-a-lés na companhia do Pedro. De mochila às costas, descobriram as paisagens maravilhosas da ilha, deliciaram-se com a temperatura do Mar de Banda, conheceram a história e as gentes, provaram sabores novos, depararam-se com animais exóticos e surpreenderam-se a cada dia com as originalidades desta ilha!
Acreditamos que saíram daqui mais ricos, com mais mundo e uma visão diferente deste país! Foram provavelmente as duas melhores semanas do ano que aqui tivemos e esperamos que para eles também! E que todas as expectativas que traziam na bagagem tenham sido completamente superadas!
Obrigada pela visita, pela companhia e pela alegria que nos trouxeram! Já estamos cheios de saudades!
Jaco

Praia do Dólar

Duas baixas de peso!

Já várias pessoas nos tinham dito que um dos aspectos mais duros de viver em Timor-Leste é o facto das amizades que se vão criando terem, à partida, um prazo determinado. De facto, tal como nós, a maioria dos estrangeiros que cá está veio com a perspectiva de partir ao fim de seis meses, um ano ou dois anos. Isto faz com que ocasionalmente o grupo de amigos que se vai criando sofra algumas baixas de pessoas que partem e muitas vezes já não voltam!

Ainda não tínhamos sentido esta dificuldade na pele, mas o mês de Setembro reservou-nos algumas tristezas associadas a duas baixas de peso: primeiro o Moisés e depois a Raquel! Provavelmente as pessoas que melhor nos receberam, de coração aberto, que nos enturmaram e que partilharam connosco gargalhadas verdadeiras e tristezas sentidas. Duas pessoas que nos marcaram pela sua força e postura na vida! Duas amizades que sabemos não terem prazo! Vão fazer-nos muita falta, amigos!

Joana e Raquel no veleiro da despedida ao largo de Díli

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

BALInando

Depois das férias, no regresso a Díli, ainda fizemos uma breve paragem em Bali! Ficámos nesta villa, onde relaxámos da longa viagem e preparámo-nos para mais três meses em Timor! =)

Astana Kunti Villas em Seminyak


sábado, 17 de setembro de 2011

Welkom bij Amsterdam!

Amesterdão tem um poder de atracção único. É uma cidade cheia de vida, de riqueza, de arte e de história. Os recantos charmosos e serenos criados pela famosa rede de canais estão repletos de cafés, esplanadas, artistas de rua, pequenas feiras do livro e mercados de flores. Mas, em pleno centro histórico, encontramos também o declínio e descaramento dum estilo de vida despudorado: ao virar a esquina damos com as montras de prostitutas, as lojas de toda a espécie de comércio ligado ao sexo e as famosas “coffee shops”!
Uma cidade rica em contrastes, vibrante e descarada, que adorámos visitar!

Centraal Station: foi por aqui que começou a nossa visita. Trata-se duma estação ferroviária de estilo neo-renascentista, construída sob 3 ilhas artificiais, de onde partem e chegam cerca de 1400 comboios diários.

St. Nicolaaskerk: igreja neo-renascentista dedicada a S. Nicolau, padroeiro dos pescadores.

Oude Zijde: nas ruas do Bairro Antigo, a mais antiga profissão do mundo ocupa montras e janelas e tornou-se atracção turística de gosto duvidoso.

Canal perto de Oude Kerk, a mais antiga igreja de Amesterdão.

Oude Zijde: canais, bicicletas, edifícios antigos e igrejas imponentes.

Gastronomia tradicional: ovas fritas e mexilhões panados. Mais tarde, experimentámos as Patat (batatas fritas servidas em cones de papel com bastante maionese). Tudo muito frito, enjoativo e mau para a dieta!

Nieuwmarkt: ampla praça, onde se realizavam as execuções públicas. Aqui fica o Waag com dois torreões, construído em 1488.

Canal de Oudezijds Achterburgwal

Dam: a maior praça de Amesterdão, cidade que deve o seu nome ao dique (dam) no rio Amstel.

Nieuwe Kerk: hoje um centro de exposições, serviu para cerimónias reais a partir de 1814. Foi aqui que em 2002 o príncipe herdeiro casou.

Animação na rua

Recanto da Kalverstraat, a rua das lojas de música e de roupa

Muitas esplanadas e cafés

Engelse Kerk em Begijnhof, bairro da irmandade dos Beguinos

Het Houten Huis: o n.º 34 de Begijnhof é a casa mais antiga da cidade e ainda mantém a fachada de madeira (construção anterior à proibição de 1521 sobre construção de casas de madeira para reduzir o risco de incêndios).

Junto à entrada de Spui

Nesta gelataria vivem dois gatos que ocupam o seu lugar como qualquer outro cliente! (Claramente, não há lá uma ASAE como a nossa).

Canal de Singel

Fim de tarde passado à porta de casa, a brincar com o cão e ver os cruzeiros passar no Singel.

Beurs van Berlage: edifício da Bolsa e sede da Orquestra Filarmónica dos Países Baixos

No terraço do aeroporto de Schipol, a ver aviões descolar enquanto esperávamos pelo nosso voo para Bali.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Animais da ilha: Toké

No último dia antes das férias, a caminho de casa duns amigos para o nosso jantar de despedida, deparámo-nos com uma visão insólita: um toké! Nem queríamos acreditar!
Já há muitos meses que ouvíamos ao fim da tarde o som característico deste réptil que habita a ilha de Timor e a quem chamam “lagarto-cantor”, mas talvez por ser um animal muito tímido, rápido e fugidio ainda não o tínhamos visto.
Para quem não sabe a que animal nos referimos, o toké é um lagarto às pintas coloridas, que faz um som repetitivo que soa exactamente a “tóóó-kêêê” (http://www.youtube.com/watch?v=EV45csq79RA). Alguns timorenses disseram-nos que só os machos fazem este som, quando já são adultos e querem acasalar. Supostamente, quanto maior é o toké, mais vezes repete este som até ao máximo de sete vezes seguidas (conta a tradição que ouvir este som sete vezes seguidas é sinal de felicidade)!
Algumas pessoas vivem em serena cumplicidade com estes lagartos que comem mosquitos e outros insectos e encontram abrigo na palapa que cobre ainda o tecto de muitas casas timorenses. Depois de ver um toké ao vivo, preferimos ter apenas a companhia dos tékis, umas lagartixas pequenas que vivem no alpendre e de vez em quando ousam aventurar-se para dentro de casa. Um toké dentro de casa era coisa para matar a Joana do coração e deixar o Bruno surdo com os gritos dela!
O primeiro frente-a-frente

Já a fugir de nós

À procura de esconderijo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Todo-o-terreno

Já aqui falámos do raid que se realizou em Timor-Leste ainda antes de irmos de férias. Tratou-se duma competição amadora promovida por empresas locais e organizada pelo Moisés, um bom amigo, apaixonado pelo desporto automóvel, com um CV na matéria capaz de fazer inveja a qualquer um!
Ambos participámos no raid: a Joana como navegadora do carro que representou a empresa onde trabalha e o Bruno, realizando um sonho antigo, como membro da organização, responsável pelos Controlos de Tempo. Foi uma experiência única!
Ao fim de dois dias a desbravar Timor-Leste foi neste estado que chegámos a casa! Cansados, sujos, empoeirados mas com espírito de missão cumprida!
O Bruno ainda teve uma peripécia à 100 metros do fim, destruindo um pneu que o obrigou a uma triunfal passagem na meta a pé! A Joana, embora tivesse chegado com um ombro escoriado dos esticões do cinto de segurança, felizmente não teve peripécias de maior, permitindo-lhe conquistar um surpreendente 2.º lugar na prova!
Depois disto, não há estrada nem obstáculo que nos trave! =)
A precisarem dum banho (o Bruno, a fotógrafa e o carro)

O último estacionamento do fim-de-semana

Este bicho sem travões atravessou Timor-Leste de lés a lés

Depois de tantas peripécias, o pneu foi destruído já no asfalto de Díli

Ficou a memória!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

(Merecidas) férias!!

Como decerto deram conta, fomos de férias em Agosto! Emigrante que pretende ser digno desse “título” vai de férias “à terra” em Agosto e nós não fomos excepção! E não imaginam o bem que nos soube matar saudades da vida e do mundo que sempre tínhamos conhecido até há oito meses atrás!
Para sermos sinceros, quando fomos de férias já estávamos completamente cansados das dificuldades que a vida em Díli implica. Apesar de todos os benefícios que nos são proporcionados  e que não negamos, a verdade é que não é fácil viver num país com as características de Timor-Leste, onde tudo é quase sempre tão difícil!
Aliás, não há-de ser por acaso que a ONU obriga todos os seus funcionários a sair do país de três em três meses para bem da sua saúde física e mental! E nós, bravos e desafiadores dos limites da nossa resistência, desde que aterrámos em meados de Janeiro, ainda só tínhamos saído durante três dias para uma inesperada ida ao dentista em Bali!
Mas agora sim, tivemos verdadeiros dias de férias em família e com os amigos. Satisfizemos quase todos os desejos de gastronomia, de paisagens, de rotinas e de tantas outras coisas de que sentimos falta ao longo destes meses! A ponte 25 de Abril, os pastéis de nata com canela, as esplanadas à beira-rio, o mar de Ribamar, os campos de abóboras do Oeste e as Berlengas ao longe, as estradas e auto-estradas asfaltadas, os centros comerciais onde tudo (até o desnecessário) está sempre à mão, os supermercados com cem variedades diferentes de iogurtes de morango, os queijos e os enchidos, as montras cuidadas e repletas de saldos, os jantares cozinhados pelas mães, os pêssegos carecas, o melão e as maçãs verdes, as enguias fritas e em ensopado, o pão saloio e a broa de milho, os jantares e cafés partilhados com amigos de gargalhada fácil… tantas coisas sem as quais vivemos mas a cuja falta nunca nos habituámos!
Agora, já de volta, estamos mais animados e preparados para enfrentar uma temporada longe dos confortos da terra-natal, e prontos para recuperar os muitos posts que ficaram em atraso e continuar a partilhar um bocadinho do que tem sido a nossa experiência em Timor-Leste!
Um bife com ovo na Portugália do Cais do Sodré a ver os cacilheiros a atravessar o Tejo!
A rever o rio, a ponte e o Cristo Rei (desta vez o alfacinha)!

Porto Dinheiro, Ribamar

Ribamar: de costas para as Berlengas =)